Nutrição Integrativa

com Taisi Duarte

Veja como avaliar risco de doenças cardiovasculares.

As doenças cardiovasculares são um dos principais problemas de saúde em todo o mundo. Elas englobam uma série de condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos, incluindo doença arterial coronariana, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e hipertensão arterial. Avaliar o risco de doenças cardiovasculares é essencial para prevenir e tomar condutas, muitas das vezes que revertem o quadro clínico. A adoção de uma dieta adequada desempenha um papel crucial na prevenção e no tratamento dessas doenças. Para avaliar o risco cardiovascular de um indivíduo e fornecer uma orientação nutricional personalizada, os nutricionistas utilizam uma série de parâmetros específicos.

Avaliação do perfil lipídico:

O nutricionista avalia os níveis de colesterol total, lipoproteína de baixa densidade (LDL), lipoproteína de alta densidade (HDL) e triglicerídeos. Níveis elevados de LDL e triglicerídeos, juntamente com níveis baixos de HDL, estão associados a um maior risco de doenças cardiovasculares. A relação de triglicérides por HDL, LDL por HDL, também são índices para avaliar o risco cardiovascular. Se tiver risco, é necessário trabalhar com estratégia nutricional junto com atividade física regular.

Verificação da pressão arterial:

A hipertensão arterial é um fator de risco significativo para doenças cardiovasculares. Então, o nutricionista mede a pressão arterial para identificar níveis elevados e monitorar a saúde cardiovascular do indivíduo. Sendo assim, caso a pressão arterial esteja alta, o profissional usa estratégias alimentares para prevenção, e nos casos de perda de peso, é possível reduzir a pressão também.

Índice de massa corporal (IMC):

O IMC é uma medida que relaciona o peso e a altura de uma pessoa. O nutricionista utiliza esse parâmetro para avaliar se o indivíduo está dentro da faixa de peso saudável, pois o excesso de peso, especialmente quando associado ao acúmulo de gordura abdominal, aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Claro que o nutricionista pode fornecer orientações para alcançar e manter um peso saudável, por meio de uma alimentação equilibrada e um estilo de vida ativo.

O IMC é um dos parâmetros mais utilizados pela saúde pública, por ser de fácil acesso, basta fazer um cálculo da calculadora. Porém, não é o mais ideal. O ideal é fazer avalização da composição corporal de forma completa, pois existe o falso magro (que é magro, mas tem mais gordura corporal do que massa magra), e existe o que está acima do peso, porém é de peso de massa magra, com baixa composição de gordura corporal.

Sendo assim, o IMC não é fidedigno quanto a composição corporal, pois os níveis de gordura corporal é o que conta para o risco de doenças cardiovasculares.

Circunferências corporais:

Circunferência da cintura: A gordura abdominal está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares. Valores elevados podem indicar a necessidade de estratégia nutricional específica e aumentar a prática de atividade física para melhorar a composição corporal.

A relação das medidas de cintura-estatura é um parâmetro importante. Esse indicador consiste na medição da circunferência da cintura em relação à estatura do indivíduo. Um valor elevado dessa relação indica um maior acúmulo de gordura abdominal, o que pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

A circunferência abdominal consiste na medição da circunferência da região abdominal, geralmente na altura do umbigo (a maior circunferência entre a cintura e quadril). Esse valor é um indicador da quantidade de gordura acumulada na região abdominal, especialmente a gordura visceral, que está associada a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, aumento do risco de hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia e doenças cardiovasculares.

A circunferência do pescoço é um parâmetro utilizado pelos nutricionistas para avaliar o risco de doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos. Essa medida consiste em medir a circunferência da região do pescoço, logo abaixo da laringe. Valores elevados de circunferência do pescoço também estão relacionados a um maior risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, e apneia do sono. Isso ocorre porque o excesso de gordura nessa região pode levar a alterações metabólicas e inflamatórias, afetando negativamente a saúde cardiovascular.

Histórico familiar:

O nutricionista também considera o histórico familiar de doenças cardiovasculares ao avaliar o risco de um indivíduo. Se houver casos de doenças cardiovasculares na família, o profissional pode adotar uma abordagem mais preventiva e fornecer orientações nutricionais específicas para reduzir o risco.

Hábitos alimentares:

Os nutricionistas também levam em consideração os hábitos alimentares do indivíduo ao avaliar o risco de doenças cardiovasculares. Eles realizam uma análise detalhada da dieta atual, verificando o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas, gorduras trans, colesterol e sódio. Além disso, avaliam a ingestão de fibras, frutas, legumes e alimentos fontes de ômega-3, que são benéficos para a saúde cardiovascular.

Exames de sangue:

Os biomarcadores sanguíneos também dizem muito sobre a saúde cardiovascular, além do perfil lipídico, apolipoproteínas hepáticas, ldl oxidada, ácido úrico, índice de ômega3, e homocisteína também são eficientes para tal avaliação.

Com base nestas avaliações, o nutricionista pode recomendar modificações na dieta, como aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, frutas e vegetais, que ajudam a reduzir os níveis de colesterol LDL. Eles também podem incentivar a substituição de gorduras saturadas por gorduras insaturadas saudáveis, encontradas em alimentos como nozes, sementes, abacate e peixes gordurosos. Mas claro que vai muito além disso. Reduzir colesterol com fibras específicas (maçã, aveia, abacate, arroz vermelho), e excluir os industrializados que são ricos em sódio, potássio, calorias vazias e gorduras trans e saturadas, são as principais recomendações.

Mas a conduta é extremamente individualizada, e é levado em consideração estilo de vida, genética, condição de saúde, crenças e todo o contexto social.

Em suma, os nutricionistas desempenham um papel fundamental na avaliação do risco de doenças cardiovasculares e na orientação nutricional para a prevenção e tratamento dessas condições. Através da análise de vários parâmetros, eles são capazes de fornecer recomendações personalizadas para promover uma alimentação saudável, reduzir fatores de risco e melhorar a saúde cardiovascular dos indivíduos.

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